Tradicional Lenço dos Namorados
O governo vai avançar muito em breve com uma proposta legislativa para a certificação dos produtos artesanais tradicionais. O compromisso foi anunciado, ontem, pelo secretário-de-Estado do Emprego, Pedro Roque Oliveira, numa visita à Adere-Minho, sita em Soutelo, Vila Verde, onde presidiu à cerimónia de entrega de 70 certificados de formação profissional.
Depois do Estatuto do Artesão e da Unidade Produtiva Artesanal, (Decreto-Lei n.º 41/2001 e alterado e complementado pelo Decreto-Lei n.º 110/2002), o secretário-de-Estado do Emprego defende que “a certificação dos produtos artesanais é um elemento estruturante para a qualificação do sector”, bem como a “sobrevivência” das artes tradicionais portuguesas.
“Temos o dever e obrigação de ajudar à certificação”
Pedro Roque Oliveira indicou ainda que, neste momento, está já a ser ponderado um “Sistema de Qualificação e Certificação dos Produtos Artesanais Tradicionais - visando precisamente a protecção e valorização dos produtos regionais, com uma referência geográfica de origem”.
“Temos o dever e a obrigação de ajudar à certificação dos nossos produtos artesanais, pois é uma forma de garantia de que é um património cultural e histórico nosso”, referiu o responsável governamental.
Na ocasião, Abílio Vilaça, o presidente da Adere-Minho, recordou que a certificação, por exemplo, do bordado de Guimarães em 2012, na altura da Capital Europeia da Cultura, veio despertar o interesse dos turistas na procura de produtos locais. “As artesãs que em 2011 fizeram formação não têm mãos a medir para responder às encomendas e há muitas à espera de cursos”.
Os Lenços de Namorados do Minho e a olaria e cerâmica de Barcelos são outros produtos tradicionais, cuja certificação tem ajudado ao empreendedorismo.
Formação profissional é urgente
A Adere-Minho entregou, ontem, na cerimónia presidida pelo secretário-de-Estado do Emprego mais 70 diplomas a adultos que apostaram na formação. Algumas destas formações têm vindo a ser levadas a cabo na área das artes tradicionais e foram já muitas as micro-empresas dali saídas enquanto projecto profissional de formandos.
Abílio Vilaça, presidente da Adere-Minho, destacou que tem sido precisamente das formações nas artes e ofícios que têm saído “bons exemplos de empreendedorismo”. Mas advertiu que neste momento é necessária mais formação profissional. “Por exemplo o concelho de Viana do Castelo tem necessidade urgente de arrancar com formação de bordadeiras, para podermos dar resposta aos pedidos de muitos desempregados que poderão sair dessa situação se frequentarem o curso - já que a certificação dos bordados vianenses aumentou a procura”.
“Nos Lenços de Namorados a certificação é hoje uma garantia para as unidades produtivas e tem constituído fonte de empregabilidade. Temos muitos pedidos para esta formação, mas necessitamos que sejam aprovados mais cursos neste domínio”.
Fonte Correio do Minho por Marta Caldeira

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