É editor, colecionador e um dos maiores investigadores de música tradicional portuguesa e fado da atualidade. Vive e trabalha a partir de Vila Verde, desde 1997, para Portugal inteiro e para o mundo. José Moças criou em 1992 a Tradisom, uma editora responsável pelo lançamento de obras que constituem um dos mais importantes espólios nacionais de música.
Sente-se um dos responsáveis pelo acolhimento do fado como património imaterial da humanidade. Razões não lhe faltam, pois é um dos maiores investigadores da área e aquele que descobriu as mais remotas gravações de fado em disco. Em Inglaterra, descobriu um dos maiores espólios de fado e rapidamente o apresentou ao Ministério da Cultura para que o mesmo viesse para Portugal.
“No entanto, desde a primeira hora, senti que se aquilo viesse para Portugal me punham de lado. Apesar de ser um importantíssimo registo, pois mais não era que um pedaço da nossa história coletiva. As suspeitas acabaram por se confirmar, já que me deram a entender que não precisavam de mim para nada. No entanto, o meu amor pelo fado foi maior e continuei a investigar”, lembra o editor. De tal forma que, hoje, afirma, a sua coleção privada é “a maior do país”.
Encontrou, precisamente na feira de velharias de Vila Verde, os dois mais antigos discos de fado conhecidos até à data, remetendo para o ano de 1900. “É impressionante como as coisas parecem vir ter connosco. São dois trabalhos gravados no Porto com 113 anos”, estranha, desvendado que, neste momento, já encontrou mais dois trabalhos dessa primeira sessão de gravação. Até há poucos anos atrás, o mais antigo disco conhecido datava de 1904.
Entretanto, doou já o seu espólio à Universidade de Aveiro, onde começará também, já no próximo mês, todo um trabalho de investigação sobre fado e música tradicional, a fim de se editarem trabalhos nunca antes registados. Será uma espécie de 'Arquivos musicais portugueses', que dará a conhecer, não só autores nunca antes conhecidos, mas também trabalhos de teatro de revista, música tradicional gravada nas aldeias, etc.
O protocolo estabelecido com a Universidade de Aveiro levará ao tratamento, classificação e digitalização de um espólio de cerca de 6.000 discos de música portuguesa em 78 rpm (música tradicional, música para teatro, música erudita, etc.) editados entre 1900 e 1950 (incluindo quatro discos que foram gravados no Porto, em 1900, no âmbito da primeira viagem dos emissários de Emile Berliner para promover o gramofone na Europa).
José Moças e a Tradisom editaram, ainda, toda a coleção do Pavilhão de Portugal da Expo 98. Ao todo 12 discos que 'explicam' a influência musical portuguesa em diversas partes do mundo, onde o nosso povo encetou contactos. Já mais recentemente, editou o último disco do Raízes, um grupo vilaverdense, com “enorme qualidade”.
Sobre a cultura vilaverdense faz, aliás, uma peculiar análise. Lamenta que Vila Verde, em termos culturais, seja “praticamente zero” e desafia o executivo que liderar o próximo mandato autárquico a criar um plano de atuação de médio prazo para criar hábitos de consumo cultural. “É triste dizer isto, mas não é irredutível. É possível alterar-se este rumo dos acontecimentos. Tenho alguma experiência nessa área e não me importo de colaborar. Mas, para isso, temos que assumir essa aposta e criar condições. Por outro lado, que salas temos em Vila Verde para espetáculos musicais? O auditório da Escola Profissional e que mais?”, interroga, em jeito de lamento.
Desde cedo se apercebeu também da força de editar livros com discos. Em 2010 editou 'A origem do Fado', obra que era acompanhada de um disco e que conquistou, em 2012, um reconhecido prémio de investigação na área da música.
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