Aboim da Nóbrega: 'Matou-se' a saudade da malhada (via Correio do Minho)



Dezenas de emigrantes, gentes da freguesia e curiosos de outros concelhos assistiram ontem à tarde à recriação de uma malhada tradicional do Centeio, que aconteceu na eira da mítica Casa da Pena, no lugar de Zebreiro, em Aboim da Nóbrega (Vila Verde). Foi um momento saudosista e emocionante para a maioria, já que é uma prática carismática que vai rareando nesta aldeia  agrícola. A malhada do centeio que aconteceu hoje é uma atividade da programação turístico-cultural Na Rota das Colheitas, que o Município de Vila Verde e a Proviver EEM dinamizam com as juntas de freguesia e associações locais.

Gentes reunidas em torno da eira, as mulheres terminam de espalhar os molhos de centeio e os homens preparam os malhos. Sem aviso prévio, os primeiros a aprontar os instrumentos começam a treina-los na palha. Começa um, segue-se outro, junta-se o terceiro e prontos que estavam, alinham-se numa ponta da eira, duas filas de seis homens cada, frente a frente. Começa a 'batalha' e o ruído das vozes alegres dos populares dá lugar ao silêncio. 

Este é um ritual solene, como um desporto a que se assiste ao vivo. Com o tempo e a intensidade das estocadas a aumentar, vai aumentando também a exicitação dos presentes a assistir, aferindo qual é a 'banda' que ganha. 'É a banda de lá', dizia um jovem ao outro, a seu lado.

'Antigamente isto era muito mais duro. Começava-se às 9h da manhã e só às 7h da tarde é que se parava', foi assim que José Rocha, mais conhecido no Lugar de Zebreiro por 'Zé da Rita' começou por falar de mais uma malhada em que participava. 'Chegávamos a fazer 120 'caminhos' (voltas) de uma só vez. Não é como agora que fazem duas e param', comentou.

As malhada do centeio, para este emigrante da Suiça, não têm segredos. Está-lhe na genética familiar, ele que é descendente de três gerações de nobreguenses. 'Comecei a participar em malhadas desde os cinco ou seis anos. O meu avó era 'doente' por isto. Antigamente fazia-se por necessidade. Agora faz-se por festa', acrescentou, satisfeito. 'Zé da Rita' era o mais 'castiço' do grupo, com a sua túnica de linho branco e chapeu de palha ponteagudo, 'à mariachi'.

Também é descendente da família 'que era dona de meia aldeia', onde está sita a Casa da Pena, cenário desta malhada, no supé da freguesia. 'Era num tempo em que quem tinha mais terras era quem mandava e onde os valores eram diferentes. Pagava-se o trabalho com um prato de comida e as pessoas ficavam assim satisfeitas. Agora é tudo gerido pelo dinheiro', desa 

 bafou o 'filho da terra'. A herdade imensa foi retalhada pela família: 'Dois irmãos, com nove filhos... foi tudo repartido por eles, inclusive esta Casa da Pena', explicou-nos. 'Ainda assim continua tudo na família, por isso continuam a ser poderosos', acrescentou.

1 comentários:

Anónimo disse...

Matou a saudade quem não teve que trabalhar nesse dia e pode participar na Malhada, porque como o secretário da junta de freguesia no sabádo nao podia participar, fizeram questao de mudar a data e fizeram numa sexta á tarde... o facto de muita gente da terra trabalhar nesse dia não teve importancia.. como estavam presentes os emigrantes..