Mundo: Start-up da UMinho vence prémios, cresce a três dígitos e acumula projetos com multinacionais (via TVMinho)



A Wired, uma das maiores revistas mundiais de tecnologia, está a destacar a portuguesa SilicoLife como a start-up da semana, no seu site no Reino Unido. A SilicoLife é uma start-up da Universidade do Minho que desenvolve soluções de biologia computacional para o setor da biotecnologia industrial.

A empresa tem desenvolvido projetos para o Reino Unido, Dinamarca, Suíça e EUA, com empresas do top 500 da revista “Fortune”, incluindo multinacionais e líderes no desenvolvimento de produtos químicos, polímeros e de biologia sintética. As receitas “crescem mais de 100% ao ano”, diz o CEO da start-up, Simão Soares. A SilicoLife já venceu o prémio nacional de inovação “Atreve-te!” e foi recentemente distinguida pela sua apresentação no Fórum Biochem, em Espanha.

“Estamos contentes pela distinção da Wired e por este percurso em apenas três anos”, admite Simão Soares. Em que consiste afinal o trabalho desta equipa? “A SilicoLife desenha microrganismos otimizados para a produção de compostos alvo. Olhamos para eles como uma fábrica, convertendo a matéria-prima nos produtos químicos desejados”, explica. “Críamos modelos matemáticos a partir do genoma, que funcionam como um mapa de todas as reações químicas dentro da célula, e combinamos esses mapas com os nossos algoritmos, tal como um GPS, mas neste caso maximizando a produção dos produtos de interesse”, frisa. Ou seja, rejeita-se o método de tentativa e erro: “Usamos soluções robustas com evidências matemáticas, poupando tempo e recursos caros”.

Envolvida na próxima geração de biopolímeros

A SilicoLife nasceu em 2010 e foi fundada por recém-graduados do mestrado em Bioinformática e professores da UMinho na área das ciências da computação e engenharia biológica. Possui hoje dez colaboradores e está sedeada na incubadora SpinPark/AvePark, nas Caldas das Taipas, Guimarães.

A start-up participa também no conceituado projeto europeu BRIGIT, que está a desenvolver “a próxima geração de biopolímeros” (polímeros de base biológica). O consórcio de 16 entidades liderado pela espanhola AIMPLAS é apoiado pelo 7º Programa-Quadro da UE. Pretende-se desenvolver um processo ecológico, a baixo custo e competitivo a partir de resíduos da industria do papel e com aplicações na indústria automóvel (o centro de investigação da FIAT é um dos parceiros). Os organismos envolvidos cobrem toda a cadeira de valor deste processo, desde a matéria-prima, recuperação e otimização do polímero, purificação, até à conversão no produto final.

A SilicoLife está ainda a liderar um novo projeto QREN, em colaboração com os Centros de Engenharia Biológica (CEB) e de Ciências e Tecnologias de Computação (CCTC) da UMinho. O objetivo passa por desenvolver uma plataforma computacional para o desenho de microrganismos que produzam compostos de interesse industrial, avançando como prova de conceito com o ácido succínico, cujo mercado estimado em 2015 ultrapassa os mil milhões de euros. Trata-se de um intermediário do metabolismo de vários microrganismos, mas que é produzido em níveis muito baixos. O projeto combina ferramentas informáticas para determinar os melhores organismos, simular o seu comportamento e identificar as melhores alterações para maximizar a produção do composto, passando depois por uma fase de validação laboratorial.
“A biotecnologia industrial é cada vez mais importante, ao substituir processos químicos convencionais por biológicos, em que os microrganismos atuam como fábricas celulares, com superior eficiência ambiental e sustentabilidade industrial”, realça Simão Soares. A SilicoLife aposta também na sua própria I&D interna, no desenvolvimento de estirpes otimizadas para a produção de vários compostos com alto potencial de mercado.


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