A freguesia de Cabanelas, Vila Verde, voltou ontem a cumprir uma tradição muito antiga, em que os seus mordomos da Páscoa atravessaram o rio Cávado montados em barcos para ir buscar os mordomos da freguesia vizinha de Padim da Graça, Braga, trazendo-os consigo para uma confraternização e um mega-convívio, onde se deu também a degustar o néctar das tradicionais uvas americanas. O momento foi acompanhado por largas centenas de populares, que de um lado e outro das margens, aplaudiam e festejavam.
A freguesia de Cabanelas engalanou-se bem cedo ontem para receber os mordomos da Páscoa da freguesia de Padim da Graça, dispondo um extenso tapete de flores da época até às águas do rio, onde foi feita a travessia dos barcos com as cruzes e as campainhas da paróquia.
O ritual cumpriu-se depois de ter estado suspenso durante muitos anos, reportando a uma época em que ainda se avistavam por ali azenhas e em que não existiam pontes e em que os povos comunicavam através de barcos que durante todo o dia atravessavam o rio Cávado.
António Esquível, presidente da Junta de Freguesia de Cabanelas, diz que ao longo dos seus 56 anos não tem memória já deste ritual, mas assinala a importância de se recuperar esta tradição, que é também um património cultural. “É um gesto muito bonito entre duas populações vizinhas e é também uma forma de as pessoas, que estão separadas pelo rio, se unirem e conviverem”.
A recuperação desta tradição ancestral foi impulsionada pela paróquia de Cabanelas, pela mão do padre Paulo Sérgio e que recebeu prontamente o apoio da junta local e da comunidade vizinha. “Este era um costume antigo que foi interrompido e que agora recuperámos, pois entendemos que é também uma forma de unir ainda mais as duas localidades e reforçar os seus laços. Por outro lado, é também uma maneira de celebrar o Ano da Fé, respondendo à proposta de D. Jorge Ortiga, arcebispo primaz, de promover um ‘dia da fé’ junto das comunidades”.
Fonte Correio do Minho por Marta Caldeira

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