Braga: Encontro de gigantones e cabeçudos recebe 800 bonecos



São "três dias e três noites sem dormir" para os membros da Associação Ida e Volta, enquanto se ultimam os preparativos do Encontro Internacional de Gigantones e Cabeçudos, que envolverá, este ano, mais de 1500 participantes.

Considerado o espectáculo maior e mais antigo desta arte popular, contando já com 19 anos a abrir as festas de S. João, envolve "enorme esforço por parte dos associados", sobretudo na "questão logística". São seis meses a prepará-lo, nas folgas e tempos livres. Segundo descreve um dos seus organizadores, José Freitas, embora as personagens sejam já conhecidas e estimadas pela cidade, como os gigantones Maria Papoila e Zé Povinho, o padre, a freira e o cabeçudo que representa o presidente da Câmara, o evento de dois dias é sempre recebido com renovado entusiasmo. E, nesta edição, haverá novidades para além do grande desfile de amanhã. Hoje mesmo, por volta das 22h00, cerca de 20 gaiteiros protagonizam um festival de cultura popular e tradicional, designado de "Gaitada-Rufada", que poderá ser o primeiro de muitos. Ontem, os preparativos estavam no auge. Todos os gigantones e cabeçudos da associação estavam desmontados e de roupa lavada para seguirem para a Casa dos Crivos, onde abrirá uma exposição, patente até ao dia 24. No cortejo propriamente dito, marcado para as 16h30 de amanhã, na Avenida Central, não faltará a "orgulhosa" Maria Rosa, uma "cabeçuda" que faz a caricatura de uma adepta ferrenha vestida com as cores de Portugal. No total, saem à rua mais de 800 bonecos e 40 grupos. A este nível, só para o ano haverá surpresas, nas comemorações do vigésimo aniversário do encontro. "Nós acabamos por nem ver o resultado final. A festa é da cidade", confessa Pedro Lima, da organização. As verbas são sempre conseguidas a custo. São precisos, pelo menos, 20 mil euros para pagar despesas variadas, alojamento e alimentação de todos os convidados, cuja estada é conseguida a "um bom preço" através de um acordo com o Regimento de Cavalaria 6, por nove euros a noite. "Dormem no quartel em beliches nas camaratas e têm direito a pequeno-almoço. Alguns vão ficar também no Hotel Avenida e na Pousada da Juventude". Além do gozo de ver a cidade em festa, não há lucros materiais, muito pelo contrário. "O que ganhámos são os intercâmbios, viagens e relações humanas", diz José Freitas, que assinala a perda de um grande patrocinador: a extinta Região de Turismo Verde Minho. Fonte JN por Denisa Sousa


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